Como analisa os resultados eleitorais de 11 de Outubro?
Em primeiro lugar fico feliz porque o povo de Lavra me continuou a escolher como seu líder. Sou Presidente da Junta Freguesia e sinto-me feliz e orgulhoso, porque das três vezes que me apresentei a sufrágio não houve qualquer dúvida de que os lavrenses me quererem como seu responsável. Estou feliz e orgulhoso, ao mesmo tempo que tenho grandes responsabilidades.
Apesar disso, não conseguiu ter uma maioria absoluta. Esta é uma situação que o preocupa?
De maneira nenhuma. Não estou preocupado. Só estarei preocupado se acontecerem situações anormais e provocadas. Penso que as novas gerações de políticos vão aparecer. São pessoas com novas mentalidades e que se caracterizam pelo diálogo, em vez de três em três meses virem aqui “chancar”, procurando forma de dizer alguma coisa. A nova geração é sempre bem-vinda. É preciso renovar a mentalidade e não procurar motivos de controvérsia e uma oposição ineficaz. É necessário que eles participem, dêem ideias e cooperem. Isto sem nunca esquecer quem ganhou as eleições, mesmo que seja por minoria. Tudo isto poderá ajudar-me a fazer um bom mandato. Numa das últimas edições do “MATOSINHOS HOJE” vi um comentário em que era referido que o PS, nesta freguesia, estava mais próximo do poder, pelo facto de eu ter perdido a maioria. Ao contrário do que acontece nas outras freguesias. É uma questão que eu gostaria de colocar: só em Lavra é que os socialistas estiveram próximo do poder. Nas outras poderiam estar de saída. Quero uma oposição constituída por uma nova geração de políticos que possam contribuir com ideias novas para a nossa freguesia. Se elas tiveram razão de ser poderão ser consideradas. Não podemos continuar a assistir à vinda deles de três em três meses para falar da lâmpada apagada e o buraco numa ou outra rua. Depois das eleições, os políticos têm de se concentrar no serviço à população, colocando de lado os seus clubes.
Lavra é, desde há alguns anos, a única junta de freguesia do concelho que não é governada pelo Partido Socialista. Será que poderá ser prejudicial ou benéfico para os anseios da população?
Penso que poderei ter o melhor mandato. Não escondo que mantenho com o presidente da Câmara Municipal uma boa relação pessoal e institucional. Penso que tal foi conseguido ao longo do meu segundo mandato. Nesse aspecto penso que tudo aquilo que Guilherme Pinto poderá dar a Lavra, será sempre pouco. Ele tem conhecimento daquilo de que Lavra necessita. Acredito que ele virá de encontro aos anseios dos lavrenses. Há coisas que já estão no papel, que curiosamente estagnaram há pouco tempo. Queremos reivindicar rapidamente a sua concretização.
Quais são os projectos que defende Lavra?
Dentro da racionalidade que é exigida, penso que é necessário analisar as questões das acessibilidades. É necessário pormos em marcha de uma forma digna. Devemos transformar um caminho de cabras numa via para uma via dentro das localidades. Queremos melhorar as acessibilidades e as dificuldades que temos no tráfego automóvel. Temos de ir ao encontro às exigências do século XX. Não podemos continuar a ter o estrangulamento às principais praias do concelho.
Há também a questão do Portinho de Angeiras …
Temos que desencantar o problema do Portinho de Angeiras. Há um velho ditado que diz: “Quem quer vai, quem não quer manda”. Todos temos culpa. É a única zona piscatória que não tem um abrigo que possa servir os seus pescadores. Qualquer coisa que se pense em Lavra tem sempre a barreira da RAN e da REN. O mesmo não acontece com as outras freguesias. Há falta de vontade e trabalho. Se as coisas têm os condicionalismos e as dificuldades é porque não está a haver vontade a fazer-se.
Será que estamos perante um problema político?
Acaba por ser. O assunto já foi tratado por vários governos, liderados pelos mais diversos partidos. Ficou tudo baralhado. Não há ninguém que pegue no processo e avance todas as barreiras. Penso que, neste momento, tudo está bem encaminhado. Os pescadores começam a desconfiar. São tantos os capítulos desta peça que nunca saberemos qual é a última. Penso que nesta altura é necessário pensar bem. O tempo altera os objectivos e as finalidades. O abrigo poderia ter outro tipo de aproveitamento, nomeadamente na área do turismo.
Sente que existe alguma desigualdade em relação a outras freguesias?
Penso que não têm sido criadas as condições para que os lavrenses se fixem na sua terra. Esta é uma das coisas mais tristes. Por outro lado é necessário chamar a atenção para as desigualdades em relação a outras freguesias. Do ponto de vista da habitação social, não se trata de fazer guetos mas construir pequenos núcleos habitacionais. Na nossa freguesia foram construídos 23 fogos em 35 anos. A única hipótese é morar numa barraca ou então vão viver para outras freguesias. Este é um problema para o qual já venho a chamar a atenção nos últimos 20 anos. Estou disponível para que Matosinhos seja um concelho que, na actual conjuntura, dê um exemplo ao País. Teremos de dar o nosso melhor em prol da população.
Outra das questões que se tem falado é a construção de uma piscina …
Tenho consciência de que a piscina tem custos elevados. Por outro lado não são rentabilizados. Isso acontece um pouco por todo o concelho. Porque causa disso não se justifica em Lavra. E nas outras freguesias onde elas também não existem? A distância permite-nos exigir prioridades. Não podemos esquecer os quilómetros de que nos separam do centro do concelho. A titulo de exemplo, uma pessoa que more na Rua 3 de Maio tem que fazer 10 quilómetros para chegar à piscina de Perafita. Podem fazer piscinas mais baratas. Temos vantagem de poder rentabilizar os custos através das freguesias vizinhas.
Quais são outras necessidades de Lavra?
Penso que uma das necessidades será a construção de um pavilhão para que o Clube C+S possa realizar as suas actividades. O mesmo acontece no clube de hóquei. Querem-no fazer noutra zona, mas eu oponha-se que seja fora de Lavra. No futebol, a questão do Lavrense já está resolvida. Em geral penso poder afirmar que Lavra é um diamante que ainda está por lapidar. É uma pena que não esteja a ser lapidado. Penso no entanto, que ainda há muito por fazer. Gostaria ser aquele que menos tem coisas para reivindicar, pois era sinal que havia alguma coisa por fazer. Penso que a nova capela mortuária deve avançar de imediato. Neste momento só falta lançar o concurso. É uma das maiores reivindicações, porque estamos perante uma questão muito sensível. Deveria aumentar a oferta de pré-escolar, creches e infantários. Outra das questões era um espaço de lazer para os jovens. Queremos igualmente impulsionar as pequenas e médias empresas e o comércio.
E quanto à comunidade piscatória de Angeiras?
Angeiras, como sabemos, é uma terra de pescadores. Por outro lado não podemos esquecer o êxito das tasquinhas que existem junto à lota. Deveríamos aproveitar aquela zona típica. Por outro lado, não podemos esquecer igualmente a protecção aos pescadores. Devemos igualmente estar atentos à despoluição do Rio Leça, transformando a zona envolvente num parque natural, talvez um dos melhores do Norte do País. Era bom que a Câmara de Matosinhos incluísse igualmente Lavra na iniciativa “Verão radical”. Os artistas são muito caros para vir a Lavra, mas o mesmo não acontece com as outras freguesias. O presidente da Câmara é como um pai que tem 10 filhos. Deveria tratá-los da mesma forma. Espero que, em termos das partilhas, ele seja justo.